“Dr Bumbum” era médico, mas não cirurgião plástico

Dr Bumbum era médico, mas não podia atuar como Cirurgião Plástico

No último dia 15 de julho foi confirmada a morte da bancária Lilian Quezia Calixto Jamberci, 46 anos, após complicações decorrentes de um procedimento estético feito pelo médico Cesar Barros Furtado, conhecido como Dr Bumbum.

Lilian Quezia Calixto Jamberci, 46 anos

A cirurgia foi feita em um apartamento na Barra da Tijuca, além de o mesmo ser réu em mais de 10 ações judiciais, que envolvem complicações em outras cirurgias, porte ilegal de arma, etc… O Dr Bumbum em questão, tinha diploma de médico, mas não podia trabalhar como cirurgião plástico, pois não era um especialista.

“Formar-se em cirurgia plástica requer um investimento de mais de uma década. São 6 anos de faculdade de medicina, 2 de cirurgia geral e mais 3 anos de especialização. Somando 11 anos ao todo…”, explica o Dr. Rogério Ramos.

Mediante a esse caso, nos sentimos na obrigação de esclarecer algumas questão com o intuito de ajudar você a saber identificar e escolher um cirurgião sério, ético e que preze antes de tudo por sua vida.

Como descobrir se um médico é confiável?

A legislação brasileira permite que qualquer médio especializado em cirurgia plástica atue realizando procedimentos estéticos. Você pode acessar o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e pesquisar se seu médico é especialista clicando aqui.

Saber se seu médico é um especialista em cirurgia plástica é a primeira coisa que precisa saber antes de tomar sua decisão. Profissionais inaptos que realizam cirurgias plásticas são um risco para a sua saúde.

Um levantamento feito pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) indicou que 97% dos erros em cirurgias plásticas são cometidos por profissionais não especialistas.*

Neste caso específico do “Dr Bumbum”, houveram vários fatores que favoreceram no que culminou na morte da paciente:

  • Médico não especialista.

Como explicado anteriormente, para atuar como cirurgião plástico é necessário ser especialista e ter se preparado adequadamente para isso.

“Antes de cirurgiões, somos médicos, por isso, zelar pela saúde e bem-estar de cada paciente está em nosso Código de Ética e isso precisa ser o mais importante!” acrescenta, Dr. Rogério Ramos.

  • Cirurgia sem condições mínimas de segurança.

Para uma cirurgia de qualquer espécie, mesmo os procedimentos menos invasivos, é necessário que seja feito em um ambiente preparado, um hospital ou centro cirúrgico que garantam condições de higiene (para evitar infecções) além equipamentos para atendimento de emergência, caso necessário.

  • Desrespeito às normas e regras da SBCP

  1. Não é proibido o uso das mídias sociais como fonte de informações aos pacientes, porém, é proibido a promoção e propaganda de cirurgias e terapias, porque os procedimentos precisam de uma avaliação prévia que serão recomendados pelo médico para cada paciente.
  2. Médicos não são autorizados a postarem ou divulgarem, independente da autorização do paciente, fotos de “antes e depois”, afinal o código de ética proíbe a divulgação do pré e pós operatório.
  3. Um médico só pode dar dicas de prevenção e indicações de um procedimento se este tiver formação para isso, e tem que tenham respaldo científico.
  4. Todo médico deve informar seu CRM, que é o número que o profissional adquire após realizar a inscrição no Conselho Regional de Medicina.
  5. No caso de um especialista vale solicitar também o RQE que é o Registro de Qualificação de Especialista emitido pelo Conselho Regional de Medicina de cada Estado.
  6. Médicos não podem dar dicas ou mostrar etapas ou técnicas de qualquer procedimento, mesmo os especialistas, pois isso caracteriza-se propaganda pessoal, o que o Conselho Federal de Medicina proíbe.

Entenda quais são as principais orientações para uma cirurgia plástica clicando aqui.

Em resposta ao acontecimento a SBCP publicou um comunicado lamentando o ocorrido:

“A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) lamenta por mais um óbito de paciente que realizou um procedimento estético com um não especialista. A bancária Lilian Calixto, 46 anos, morreu no último domingo, 15, após complicações de um tratamento realizado por um médico não especialista e em local inadequado. Além de não ter formação em cirurgia plástica, o médico realizou o procedimento em sua residência, o que é proibido. 

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica repudia e reprova procedimentos médicos na área, realizados por não especialistas, e sobretudo nestes moldes. A crescente invasão da especialidade por não especialistas tem promovido cada vez mais casos de insucesso e fatais como este.

A SBCP disponibiliza em seu site, Facebook, e-mail ou telefone, uma consulta para saber se o médico é ou não credenciado pela Sociedade para realizar uma cirurgia plástica. A formação do cirurgião plástico é diferenciada, uma vez uma vez que ele deve obrigatoriamente, após os 6 anos da graduação em medicina, passar pela formação de cirurgião geral (2 anos) antes de cumprir mais 3 anos em cirurgia plástica, somando no mínimo 11 anos de formação. 

Além disso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica tem alertado reiteradamente a população sobre os riscos dos procedimentos que envolvem PMMA. A SBCP aguarda por decisões judiciais que possam definitivamente impedir que profissionais médicos e não médicos sem especialização em cirurgia plástica realizem procedimentos sem qualificação.”

 

*Dados de 2016 da SBCP.
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